23 de dezembro de 2009

The answer is blowin' in the wind


Por quanto tempo mais conseguirei segurar as lágrimas da decepção? Quanto tempo levará para entender que o sonho que levava em minhas mãos se espatifou como um frágil cristal? Quantas frases de consolo receberei? Essas serão poucas, pois, o mundo não se lembra dos derrotados, somente enaltece os vencedores.

Bajuladores detentores de milhares de livros de elogios não compreendem o quão vão são suas tolas idéias. Sentado na sombra observo a festa dos campeões. Do murmúrio de excitação sobem vivas de "eu já sabia" e "você se esforçou, mereceu". Então me indago: E eu também não me esforcei? Eu não merecia?

Merecimento? O mundo nunca foi justo. Para cada um que vence quantos ficam no caminho? Eles não se esforçaram? Não mereceram? A vida é injusta e nos quer tão justos. É tão hipócrita e nos pede para sermos verdadeiros. Será esse o mundo maravilhoso que tanto querem que acreditemos? Sou cético, não acredito no que me dizem.

Por que só depois de perder alguém as pessoas percebem o quão importante era esse alguém? Por que só depois de experimentarem a saudade irreparável percebem o quão amorosa era aquela presença? Por que sou tão sozinho em um mundo tão promíscuo? Talvez porque não seja deste mundo.

Quando voltarei para o meu lugar? Quando alguém vai me entender? Quando alguém me dirá um simples eu te amo, em um momento improvável? Quando alguém se lembrará de mim? E dirá: "Isto ele vai gostar, vou mostrar a ele". Quando alguém me abraçará apertado, no momento que estiver distraído, me olhará fundo nos olhos e dirá: "Sem você não consigo viver?" Sonhos, vãos sonhos de um sonhador utópico.

Levanto, a festa acabou, todos se foram. Piso em restos de tinta e papéis picados. O céu escuro prenuncia uma tempestade. Sinto os primeiros pingos gelados caírem ao mesmo tempo que as lágrimas começam a rolar pela minha face. Um trovão abafa um soluço mais forte. A chuva me revela que não sou nada, nunca serei. Na vitrine de uma loja fito minha imagem, esquálida imagem de um derrotado. Um derrotado que sabe que a vida nunca irá lhe oferecer aquilo que deseja. Até quando irá pedir? Alguém me ouvirá? Por que que eu faço essas perguntas sem ninguém pra respondê-las?

17 de dezembro de 2009

Areia da ampulheta


A longa ampulheta do tempo continua a derramar sua branca areia. Daqui a pouco ela tornará a girar e dará início a mais um ciclo. E o eterno ciclo dos anos continuará a cavalgar no espaço infinito do nada.

O calor de hoje me sufoca. Absolutamente nada para fazer. As folhas das árvores não se movem. Até o vento se escondeu. O tempo parece parado. As horas teimam em passar.

Tanto por dizer, mas ninguém disposto a ouvir. Tantos carinhos por oferecer, mas ninguém disposto a recebê-los. A saudade que me invade nesta época não sei de onde surgiu. Talvez lembranças de outra vida, de alguém, de um sonho, não sei.

A televisão a minha frente noticia o caos da nossa época. Vamos nos destruir. Dominamos a Lua e perdemos o controle do nosso planeta, ou melhor, destruímos nosso planeta. Será que alguém realmente acredita na salvação? Eu não acredito mais.

Ambições humanas agora cobram seu preço. Gaia é vingativa, não esquece de quem a subestimou.

A ausência do vento será um sinal? O calor que me sufoca será um aviso? Só o que sei é que a areia da ampulheta continua a cair. Ela continuará a girar eternamente. Um ciclo precede o outro. Será minha saudade lembrança de quando éramos bons?

Cavalos calados


Domingo sempre foi o pior dia e sempre será. Absolutamente nada para fazer. O mundo repousa, a vida pára, o vento não sopra, até a natureza parece adormecida em um hipnótico sonho de tédio. O ar pesado, que a todos envolve, parece transmitir as energias negativas de tal dia. Estatisticamente, domingo é o dia aonde mais ocorrem suicídios.

Ando, pelas ruas, na companhia de meus fantasmas. Ninguém repara naquele que passa por ali, estão todos ocupados, todos sem tempo, como aqueles que assistem ao jogo ali no bar, torcendo, chorando, por ídolos que jamais torcerão por eles, nem tampouco irão derramar alguma lágrima pelos anônimos que os ovacionam. Ou então, sem tempo, como os que festejam na casa logo a frente, entre gritos e risos a felicidade transborda de seus copos.

Como gostaria de ser como eles, como desejaria amar a vida, como queria ser apenas comum. Respiro fundo para tentar aspirar um pouco da alegria dos que festejam, mas é inútil. Continuo minha caminhada. Sim, talvez seja assim, o caminho que devo seguir os outros não possam enxergar. Idiota seria a palavra certa para me descrever, pois cobro das pessoas aquilo que para elas não existe. Apenas eu posso observar este caminho, apenas eu devo trilhá-lo, sem ninguém.

Algumas vezes abandono o meu caminho para ajudar no caminho alheio, mesmo quando fatigado de minha própria estrada, percorro estradas alheias acudindo quem precisa com gestos simples que apenas gostaria de receber de volta sem necessitar pedir. Mas, quando preciso, estão todos ocupados, sem tempo para mim. Tudo bem, respondo com um sorriso amarelo, eu entendo.

Será que algum dia alguém verá que também necessito de ajuda? Verá minhas feridas e ajudará no curativo? Entenderá que minha ajuda é apenas um mudo pedido de socorro? Ou então desejam que seja mais claro? Se for isso tudo bem. Eu preciso de ajuda. Mas meu pedido é sufocado pelos gritos de gol daqueles ali no bar e pelos risos da festa logo a frente. De que adianta clamar por ajuda? Ninguém percebe que necessito de uma.

20 de novembro de 2009

Texto sem título


Alguém me ajude a procurar minha felicidade, não a encontro em lugar algum. Não recordo onde a esqueci, ou melhor, não recordo se algum dia cheguei a possuí-la. A vida nunca me provocou grandes paixões por ela, pelo contrário, vivemos uma relação forçada, imposta por uma força superior a mim.

Nesses dias cinzentos em que pairo sobre o mundo dos vivos e os observo sob um olhar de alguém que nunca os compreendeu, tudo o que desejo é paz. Vá embora maldita dor, preencha meu vazio com algo, ainda que fútil e tolo, mas eu lhe imploro, não quero mais isso.

Quero chorar, mas não consigo. Desejo gritar, mas minha voz se cala frente aos gritos de felicidade do mundo. Queria alguém em cujos ombros pudesse descansar minha cabeça. Aparento ser forte, mas sou frágil. Minha fortaleza é apenas a máscara com a qual escondo minhas frustrações.

Gostaria de alguém que me entendesse. Mas isso é pedir muito. Estou cansado do mundo, da vida, das pessoas falsas, das banalidades, de mim. Sou um idiota e idiotas merecem sofrer. Merecem sofrer por desejarem a paz em meio a guerra, por amarem demais, por sonharem enquanto todos estão acordados.

Só queria não existir, não ser nada. Não faria falta ao mundo. O universo não alteraria seu curso por um sonhador não existir. As pessoas continuariam suas pacatas vidas. Talvez apenas a Lua, solitária e vazia assim como eu, sentiria a falta de um par de olhos que sempre a observava. Talvez nessa noite a Lua se esconderia, atrás das nuvens, para derramar seu pranto solitário e lamentar a perda de um sonhador.

Mas no pranto da Lua, não haveria apenas lamento, haveria também uma cumplicidade, pois no fundo, a Lua compreenderia o sentimento daquele jovem que naquele momento dormia, dormia, talvez sonhava.

16 de novembro de 2009

RIP


O que é a morte? Para os cientistas o cessar de toda e qualquer atividade biológica. Para os religiosos apenas uma passagem. Mas, sempre me pergunto, qual o limiar entre esse dois mundos? Que tênue fio separa universos tão desconhecidos? A morte me fascina. Me faz ver o quão insignificante sou. O quão frágil é a minha existência.

O que acontece no exato momento em que sua consciência se apaga? Dor? Paz? Um ínfimo instante e um universo se apaga. Uma vida inteira construída é derrubada de um só golpe pela foice gélida da senhora morte. Sonhos, desejos, planos para o amanhã, são sumariamente apagados, porque o amanhã já não mais irá acontecer. Tudo se acabou quando menos esperávamos.

Se me fosse permitido escolher a forma de minha morte, desejaria estar acordado, lúcido para sentí-la melhor. Para alguns uma idéia um tanto quanto macabra, não para mim. Gostaria de sentir ela se aproximando a passos lentos, ela estendendo seus braços e me envolvendo num abraço acolhedor, como uma mãe que encontra seu filho desaparecido.

E depois? O mistério. Será nossa segunda chance? Ou apenas o nada absoluto? Incertezas que descobriremos quando chegar a nossa vez. Talvez logo após terminar este texto. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano. Talvez daqui há 70 anos. Ninguém sabe quando ela nos fará sua visita íntima.

A única certeza que temos neste mundo é a de que quando a vida da última pessoa, que se lembrar de nós, se apagar, será como se jamais tivéssemos aqui vivido. E só então, neste dia, a nossa morte se concluirá.

28 de outubro de 2009

SPD


Viver dói. Cada dia a vida me afoga, me lança para as profundezas de suas águas, tenta me vencer. Até agora resisto, mas me pergunto até quando terei forças para retornar a superfície em busca de ar? Não sei. Alguém, muito importante para mim, afirmou que devíamos ter sido avisados na infância, que a vida não é a maravilha que sonhamos. Eu concordo com ela.

A vida sempre tenta acabar com nossos sonhos, devemos resistir, ficar firmes em nosso propósito, ainda que o caminho seja longo, duro e solitário. As vezes, quando na escuridão da estrada choramos por termos perdido o caminho, quando todos os que ajudamos tomaram a dianteira e nos deixaram para trás, quando nos descobrimos sozinhos, nesse instante, sempre haverá alguém com uma lanterna que nos encontrará e nos levantará estendendo uma mão amiga.

Não pense que a pessoa que segura a lanterna também não está com medo, ela está na mesma situação que a sua. Talvez você sozinho não sobreviva aos perigos da estrada mas tendo alguém ao seu lado a história pode ser diferente.

Eu sei que você que me ajuda a levantar não é a minha salvação. Você é a minha auxiliadora. Me ajudou quando todos me negaram ajuda. Talvez os nossos caminhos se separem mais a frente mas, mesmo que novamente tenha que trilhar o caminho solitário, guardarei para sempre em minha memória, a luz da sua lanterna, o brilho do seu sorriso, a pureza do seu coração, o sabor de seus lindos lábios e a imensa alegria por estar em sua companhia.

Talvez para você eu seja apenas mais um qualquer mas, saiba que para mim você é única. A maior proximidade da perfeição que possa existir. Devido a isso, o que eu desejo verdadeiramente neste instante é gritar o mais alto possível para todos ouvirem: "Obrigado SPD, estou começando a lhe amar."

9 de outubro de 2009

Ausente o encanto antes cultivado


Angústia acompanhada de uma dor no peito. Assim me sinto agora. Deitado na cama escrevo tendo como companhia apenas o barulho dos automóveis. Mais uma vez sozinho. Grande novidade. Já me acostumei com isso. Será? Sinceramente não tenho tanta certeza. Talvez "acostumado" não seja a palavra certa, na verdade, depois de um tempo você não liga tanto para isso. A dor de ser solitário diminui com o passar dos dias, mas ela não se encerra, sempre guarda um pouco para nos afligir.

Será que um dia isso vai passar? Creio que não. A depressão é uma doença avassaladora, acaba com tudo: sonhos, ideais, desejos, tudo fica pequeno sob sua visão. Você passa a ver o mundo com outros olhos. Perguntas antes escondidas agora são reveladas. Dores antes inexistentes são agora sentidas. E a dor maior de descobrir que o mundo maravilhoso que antes conhecia não é bom. As pessoas não são boas. A vida não é bela.

Me disseram que não devo ser muito racional, devo esquecer minhas dúvidas e apenas viver, afinal eu tenho uma vida pela frente. Já me foi dito que eu não tenho direito de estar assim, pois sou jovem e a vida é tão "maravilhosa". Maravilhosa? Talvez seja para nós que tivemos a sorte de nascermos em famílias possuidoras de condições mínimas para nos criar. E quem não teve essa sorte? Me dizem que eu não devo pensar neles, devo apenas curtir a oportunidade que conquistei e eles que cuidem dos problemas deles. Desculpem, não consigo fazer isso.

Meus olhos em silêncio pedem um abraço apertado, apenas um gesto de carinho, um afago amigo. Mas, parece que as pessoas se esqueceram da linguagem dos olhos, ninguém consegue compreender o que diz meu silêncio, estão todos ocupados, preocupados com seus sonhos. Eu os entendo, também já fui assim.

A vida talvez seja apenas um curto sonho e talvez devêssemos buscar mais amor ao invés de mais dinheiro, mais partilha e menos egoísmo, mais abraços e menos brigas. Mas isso é apenas uma utopia de um jovem depressivo, ninguém ligará para o que ele diz e nem lhe darão aquele abraço que deseja, afinal como já cantou Renato Russo na canção O Livro dos Dias: " Todos se afastam quando o mundo está errado, quando o que temos é um catálogo de erros, quando precisamos de carinho, força e cuidado".

4 de outubro de 2009

Boa noite e bons sonhos


Sou um jovem de 20 anos mas me sinto como se tivesse vivido 80. Meu corpo está cansado, ferido pelo mundo que me rodeia. Minha alma pulsante tenta resistir mas o corpo está cansado. Até quando ele resistirá? É a pergunta que me faço todos os dias.

Não me importo se ele resistir por pouco tempo. A cada segundo que passa, a cada volta do ponteiro das horas, a cada folha de meu calendário que marca meus tristes dias, o meu corpo definha. Minha alma se enche com uma mistura de alegria e tristeza.

Alegria pois ela sabe que irá continuar sua jornada em outro mundo, um mundo moroncial como o descrito no Livro de Urântia, um mundo onde finalmente minhas lágrimas secarão, o meu vazio será preenchido, e eu me sentirei amado. Ah que imensa alegria sinto neste momento que escrevo, minha alma sente a paz próxima e a alegria de alguém que finalmente encontra seu lugar.

Me despeço do mundo e continuo minha ascensão até as muitas moradas de meu pai, finalmente a paz. A paz que sempre procurei e nunca encontrei, pelo contrário encontrei a guerra. Amei e fui odiado. Ajudei e fui ignorado quando clamava por uma mão amiga. Fiz as pessoas rirem e elas me fizeram chorar.

Venha me buscar Deus, não aguento mais a solidão e o sentimento de não ser amado. Por favor me leve até onde eu possa encontrar tudo o que aqui não encontrei. Eu sei que é só você que tem a cura do meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo o que eu ainda não vi.

Mais um dia se encerra, as pessoas voltam para suas casas após o "dignificante" trabalho, o sol escorre no horizonte com uma tristeza igual a minha. As nuvens vermelhas esparramam seu sangue pelo céu que aos poucos se apaga. A lua, senhora da noite, ilumina meu rosto, a cama me espera para uma noite de sonhos bons, sonhos que me fazem feliz, pelo menos por algumas horas, depois tudo volta: a dor, as lágrimas, o vazio, a solidão. Abro os olhos e me pergunto por que mais um dia? Mas agora vou dormir e aproveitar as poucas horas de felicidade que me são concedidas. Boa noite e bons sonhos.

14 de setembro de 2009

Vagos pensamentos


O quarto estava vazio. Apenas ele e seus pensamentos compartilhavam a triste monotonia de mais um dia neste planeta. Respirou fundo tentando puxar para dentro de si não apenas o ar vital que lhe faria sobreviver por mais tempo mas, também, buscava aspirar a vida que perdera em algum dia do passado. Mas ele sabia que isso era inútil, jamais voltaria a ser quem fora, ele até era feliz, mas agora tudo se acabou.

Observando a foto de uma criança, sorrindo feliz, em cima da mesa da sala ele se reconhece no momento extático da eternidade fotografada. Mais uma respirada funda e o vazio que não é preenchido perdura. Lágrimas escorrem pelo seu rosto, ninguém entende. Está só. Só como a Lua cheia que observa de sua janela. A vastidão do universo e a solidão da Lua por um momento lhe confortam. Em uma prece silenciosa apenas pede para que Deus abrande seu sofrimento. Ele grita mas ninguém lhe ouve, ninguém. Novamente se refugia em sua fortaleza solitária, ali convive com a solidão, as horas amargas de todos os dias monótonos que teimam em passar. As lágrimas escorrem novamente por seu rosto. É apenas mais um entre bilhões mas não gostaria de ser nenhum.

12 de setembro de 2009

Relato de um vampiro - Parte II


A loucura é só um ponto de vista. Todos são loucos. Alguns conscientes de sua loucura. São aqueles que conseguem abandonar a caverna, aqueles a quem a luz da existência os cega e a solidão, que acomete todas as almas que deixam a caverna, se torna uma companheira inseparável. Em vão tentam conseguir o apoio dos cegos que permanecem na caverna cegados pelas sombras.

Nesses dias em que a solidão é a minha única companheira, a minha amiga, a minha esposa casta, desejo me transportar para outros mundos, alegres, divertidos, eternos. Porém, isso seria desistir daquilo que lutei tanto para conseguir. Desistir da luz. E desistir é para os fracos. Não lutar é para os fracos. Eu sou forte. Eu sou vencedor.

Apesar da solidão do mundo real eu gosto dela, me faz sentir vivo, pois quem vive rodeado de companheiros e companheiras está na caverna, e quem está na caverna, está morto no mundo real e vivo no mundo virtual.

Devido a isso, grito aos quatro ventos e em eco eles me devolvem o grito: Prefiro a dor da existência à felicidade da idiotice e da estupidez humana.

Relato de um vampiro - Parte I


Mais um dia como os outros. As vezes tenho a sensação de estar constantemente experimentando o eterno retorno proposto pelo filósofo Nietzsche. Tudo se repete, da minha janela observo os seres humanos, sempre iguais, ignorantes, imaginando que vivem.

Viver. Nem sei se estou vivo, tudo pode ser um sonho, um pesadelo na verdade. Sou um vampiro, estou entre a vida e a morte. Não estou morrendo, não é isso que quis dizer. O problema é que ao mesmo tempo que vivo já estou morto há muito tempo.

Nem sei precisar quando foi, mas faz muito tempo, lembro que era um jovem curioso e isso me levou até os vampiros, mas o que aconteceu depois ninguém nunca soube explicar, até hoje não entendo. Já pesquisei muito, mas não encontrei a resposta.

Eu me transformei em um vampiro diferente, não necessito de sangue para viver, me alimento de almas humanas. Nunca matei os seres humanos de que me alimentei, apenas os deixo com uma angústia, uma tristeza, isso acontece porque quando me alimento os meus sentimentos passam para a pessoa e os sentimentos de alegria da pessoa passam para mim.

Assim vivo, da felicidade dos humanos. Sou triste, melancólico e solitário. Passo os dias lendo e ouvindo música, lembrando do que passou e vivi, sonhando com um lugar melhor. Estou cansado de tudo, de todos, por isso vivo só. Além disso, sou o único da minha espécie, ou não, pois já fui um humano e me transformei nisso. Também não encontrei ninguém como eu, nenhuma vampira para dividir as angústias que a eternidade proporciona.

Estudo e observo muito os seres humanos, como já fui um, posso dizer de algumas coisas que senti, outras que aprendi após deixar a forma humana, mas nem por isso deixam de ser verdadeiras.

Os seres humanos são estúpidos, se preocupam com coisas poucas. Vivem sem pensar, ou melhor, vegetam, pensam viver. Percorrem todos os dias o mesmo caminho, realizam as mesmas tarefas. Para quê isso? No fim perderão a batalha da vida. Que coisa inútil.

Como sou idiota. Por que fico pensando nesses imbecis se tenho a eternidade para aprender e ler o mundo? Pode ser porque em algum lugar ainda possuo um pequeno traço da estupidez humana, como uma lembrança, uma fotografia para jamais ser esquecida.

10 de setembro de 2009

DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!




Deixai toda a esperança. Sim, essa parece ser a frase que a vida nos impõe desde nosso nascimento. Porém, diferente da Divina Comédia, a vida não é apenas um passeio no inferno, ou é? Sinceramente já não tenho tanta certeza. Talvez aqui neste mísero e insignificante planeta chamado Terra, que orbita uma estrela de quinta grandeza na periferia de uma das inúmeras galáxias deste vasto e imensurável espaço, seja o Inferno.
Basta apenas observarmos as notícias em jornais e revistas. Mortes. Assassinos. Estupradores. Mas isso sempre existiu e sempre existirá, afirmam os mais céticos quanto a grandiosidade do caos em que vivemos. Sim, realmente sempre existiu e sempre existirá, por isso, afirmo: aqui é o inferno.
"O inferno são os outros", afirmou Sartre. Não, o inferno é o planeta Terra. Os outros, ou nós, somos os demônios que cada dia destruimos o planeta numa velocidade que não é possível controlar. Ou alguém ainda acredita que podemos salvar a humanidade das catástrofes naturais? Não, o planeta não tem mais salvação. As pessoas não tem mais salvação. Bom, pelo menos não nesse tempo e espaço mas, isso é outra história que em breve comentarei.
No Inferno não há esperança, apenas dor e sofrimento. Schoppenhauer afirma que viver é sofrer porque nos decepcionamos com os desejos não realizados. Mas quais são nossos desejos? Será que as pessoas desejam realmente um futuro melhor para todos os semelhantes? Penso que não.
O mundo é mal é nós também somos. O amor é uma falácia e a esperança uma frágil donzela no meio da guerra fácil de ser abatida com um tiro. Parem o mundo que ,assim como um chato que me grita nos ouvidos, eu quero descer.