16 de novembro de 2009

RIP


O que é a morte? Para os cientistas o cessar de toda e qualquer atividade biológica. Para os religiosos apenas uma passagem. Mas, sempre me pergunto, qual o limiar entre esse dois mundos? Que tênue fio separa universos tão desconhecidos? A morte me fascina. Me faz ver o quão insignificante sou. O quão frágil é a minha existência.

O que acontece no exato momento em que sua consciência se apaga? Dor? Paz? Um ínfimo instante e um universo se apaga. Uma vida inteira construída é derrubada de um só golpe pela foice gélida da senhora morte. Sonhos, desejos, planos para o amanhã, são sumariamente apagados, porque o amanhã já não mais irá acontecer. Tudo se acabou quando menos esperávamos.

Se me fosse permitido escolher a forma de minha morte, desejaria estar acordado, lúcido para sentí-la melhor. Para alguns uma idéia um tanto quanto macabra, não para mim. Gostaria de sentir ela se aproximando a passos lentos, ela estendendo seus braços e me envolvendo num abraço acolhedor, como uma mãe que encontra seu filho desaparecido.

E depois? O mistério. Será nossa segunda chance? Ou apenas o nada absoluto? Incertezas que descobriremos quando chegar a nossa vez. Talvez logo após terminar este texto. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano. Talvez daqui há 70 anos. Ninguém sabe quando ela nos fará sua visita íntima.

A única certeza que temos neste mundo é a de que quando a vida da última pessoa, que se lembrar de nós, se apagar, será como se jamais tivéssemos aqui vivido. E só então, neste dia, a nossa morte se concluirá.