
Domingo sempre foi o pior dia e sempre será. Absolutamente nada para fazer. O mundo repousa, a vida pára, o vento não sopra, até a natureza parece adormecida em um hipnótico sonho de tédio. O ar pesado, que a todos envolve, parece transmitir as energias negativas de tal dia. Estatisticamente, domingo é o dia aonde mais ocorrem suicídios.
Ando, pelas ruas, na companhia de meus fantasmas. Ninguém repara naquele que passa por ali, estão todos ocupados, todos sem tempo, como aqueles que assistem ao jogo ali no bar, torcendo, chorando, por ídolos que jamais torcerão por eles, nem tampouco irão derramar alguma lágrima pelos anônimos que os ovacionam. Ou então, sem tempo, como os que festejam na casa logo a frente, entre gritos e risos a felicidade transborda de seus copos.
Como gostaria de ser como eles, como desejaria amar a vida, como queria ser apenas comum. Respiro fundo para tentar aspirar um pouco da alegria dos que festejam, mas é inútil. Continuo minha caminhada. Sim, talvez seja assim, o caminho que devo seguir os outros não possam enxergar. Idiota seria a palavra certa para me descrever, pois cobro das pessoas aquilo que para elas não existe. Apenas eu posso observar este caminho, apenas eu devo trilhá-lo, sem ninguém.
Algumas vezes abandono o meu caminho para ajudar no caminho alheio, mesmo quando fatigado de minha própria estrada, percorro estradas alheias acudindo quem precisa com gestos simples que apenas gostaria de receber de volta sem necessitar pedir. Mas, quando preciso, estão todos ocupados, sem tempo para mim. Tudo bem, respondo com um sorriso amarelo, eu entendo.
Será que algum dia alguém verá que também necessito de ajuda? Verá minhas feridas e ajudará no curativo? Entenderá que minha ajuda é apenas um mudo pedido de socorro? Ou então desejam que seja mais claro? Se for isso tudo bem. Eu preciso de ajuda. Mas meu pedido é sufocado pelos gritos de gol daqueles ali no bar e pelos risos da festa logo a frente. De que adianta clamar por ajuda? Ninguém percebe que necessito de uma.