
A longa ampulheta do tempo continua a derramar sua branca areia. Daqui a pouco ela tornará a girar e dará início a mais um ciclo. E o eterno ciclo dos anos continuará a cavalgar no espaço infinito do nada.
O calor de hoje me sufoca. Absolutamente nada para fazer. As folhas das árvores não se movem. Até o vento se escondeu. O tempo parece parado. As horas teimam em passar.
Tanto por dizer, mas ninguém disposto a ouvir. Tantos carinhos por oferecer, mas ninguém disposto a recebê-los. A saudade que me invade nesta época não sei de onde surgiu. Talvez lembranças de outra vida, de alguém, de um sonho, não sei.
A televisão a minha frente noticia o caos da nossa época. Vamos nos destruir. Dominamos a Lua e perdemos o controle do nosso planeta, ou melhor, destruímos nosso planeta. Será que alguém realmente acredita na salvação? Eu não acredito mais.
Ambições humanas agora cobram seu preço. Gaia é vingativa, não esquece de quem a subestimou.
A ausência do vento será um sinal? O calor que me sufoca será um aviso? Só o que sei é que a areia da ampulheta continua a cair. Ela continuará a girar eternamente. Um ciclo precede o outro. Será minha saudade lembrança de quando éramos bons?