
Por quanto tempo mais conseguirei segurar as lágrimas da decepção? Quanto tempo levará para entender que o sonho que levava em minhas mãos se espatifou como um frágil cristal? Quantas frases de consolo receberei? Essas serão poucas, pois, o mundo não se lembra dos derrotados, somente enaltece os vencedores.
Bajuladores detentores de milhares de livros de elogios não compreendem o quão vão são suas tolas idéias. Sentado na sombra observo a festa dos campeões. Do murmúrio de excitação sobem vivas de "eu já sabia" e "você se esforçou, mereceu". Então me indago: E eu também não me esforcei? Eu não merecia?
Merecimento? O mundo nunca foi justo. Para cada um que vence quantos ficam no caminho? Eles não se esforçaram? Não mereceram? A vida é injusta e nos quer tão justos. É tão hipócrita e nos pede para sermos verdadeiros. Será esse o mundo maravilhoso que tanto querem que acreditemos? Sou cético, não acredito no que me dizem.
Por que só depois de perder alguém as pessoas percebem o quão importante era esse alguém? Por que só depois de experimentarem a saudade irreparável percebem o quão amorosa era aquela presença? Por que sou tão sozinho em um mundo tão promíscuo? Talvez porque não seja deste mundo.
Quando voltarei para o meu lugar? Quando alguém vai me entender? Quando alguém me dirá um simples eu te amo, em um momento improvável? Quando alguém se lembrará de mim? E dirá: "Isto ele vai gostar, vou mostrar a ele". Quando alguém me abraçará apertado, no momento que estiver distraído, me olhará fundo nos olhos e dirá: "Sem você não consigo viver?" Sonhos, vãos sonhos de um sonhador utópico.
Levanto, a festa acabou, todos se foram. Piso em restos de tinta e papéis picados. O céu escuro prenuncia uma tempestade. Sinto os primeiros pingos gelados caírem ao mesmo tempo que as lágrimas começam a rolar pela minha face. Um trovão abafa um soluço mais forte. A chuva me revela que não sou nada, nunca serei. Na vitrine de uma loja fito minha imagem, esquálida imagem de um derrotado. Um derrotado que sabe que a vida nunca irá lhe oferecer aquilo que deseja. Até quando irá pedir? Alguém me ouvirá? Por que que eu faço essas perguntas sem ninguém pra respondê-las?