
Mais um dia como os outros. As vezes tenho a sensação de estar constantemente experimentando o eterno retorno proposto pelo filósofo Nietzsche. Tudo se repete, da minha janela observo os seres humanos, sempre iguais, ignorantes, imaginando que vivem.
Viver. Nem sei se estou vivo, tudo pode ser um sonho, um pesadelo na verdade. Sou um vampiro, estou entre a vida e a morte. Não estou morrendo, não é isso que quis dizer. O problema é que ao mesmo tempo que vivo já estou morto há muito tempo.
Nem sei precisar quando foi, mas faz muito tempo, lembro que era um jovem curioso e isso me levou até os vampiros, mas o que aconteceu depois ninguém nunca soube explicar, até hoje não entendo. Já pesquisei muito, mas não encontrei a resposta.
Eu me transformei em um vampiro diferente, não necessito de sangue para viver, me alimento de almas humanas. Nunca matei os seres humanos de que me alimentei, apenas os deixo com uma angústia, uma tristeza, isso acontece porque quando me alimento os meus sentimentos passam para a pessoa e os sentimentos de alegria da pessoa passam para mim.
Assim vivo, da felicidade dos humanos. Sou triste, melancólico e solitário. Passo os dias lendo e ouvindo música, lembrando do que passou e vivi, sonhando com um lugar melhor. Estou cansado de tudo, de todos, por isso vivo só. Além disso, sou o único da minha espécie, ou não, pois já fui um humano e me transformei nisso. Também não encontrei ninguém como eu, nenhuma vampira para dividir as angústias que a eternidade proporciona.
Estudo e observo muito os seres humanos, como já fui um, posso dizer de algumas coisas que senti, outras que aprendi após deixar a forma humana, mas nem por isso deixam de ser verdadeiras.
Os seres humanos são estúpidos, se preocupam com coisas poucas. Vivem sem pensar, ou melhor, vegetam, pensam viver. Percorrem todos os dias o mesmo caminho, realizam as mesmas tarefas. Para quê isso? No fim perderão a batalha da vida. Que coisa inútil.
Como sou idiota. Por que fico pensando nesses imbecis se tenho a eternidade para aprender e ler o mundo? Pode ser porque em algum lugar ainda possuo um pequeno traço da estupidez humana, como uma lembrança, uma fotografia para jamais ser esquecida.