20 de novembro de 2009

Texto sem título


Alguém me ajude a procurar minha felicidade, não a encontro em lugar algum. Não recordo onde a esqueci, ou melhor, não recordo se algum dia cheguei a possuí-la. A vida nunca me provocou grandes paixões por ela, pelo contrário, vivemos uma relação forçada, imposta por uma força superior a mim.

Nesses dias cinzentos em que pairo sobre o mundo dos vivos e os observo sob um olhar de alguém que nunca os compreendeu, tudo o que desejo é paz. Vá embora maldita dor, preencha meu vazio com algo, ainda que fútil e tolo, mas eu lhe imploro, não quero mais isso.

Quero chorar, mas não consigo. Desejo gritar, mas minha voz se cala frente aos gritos de felicidade do mundo. Queria alguém em cujos ombros pudesse descansar minha cabeça. Aparento ser forte, mas sou frágil. Minha fortaleza é apenas a máscara com a qual escondo minhas frustrações.

Gostaria de alguém que me entendesse. Mas isso é pedir muito. Estou cansado do mundo, da vida, das pessoas falsas, das banalidades, de mim. Sou um idiota e idiotas merecem sofrer. Merecem sofrer por desejarem a paz em meio a guerra, por amarem demais, por sonharem enquanto todos estão acordados.

Só queria não existir, não ser nada. Não faria falta ao mundo. O universo não alteraria seu curso por um sonhador não existir. As pessoas continuariam suas pacatas vidas. Talvez apenas a Lua, solitária e vazia assim como eu, sentiria a falta de um par de olhos que sempre a observava. Talvez nessa noite a Lua se esconderia, atrás das nuvens, para derramar seu pranto solitário e lamentar a perda de um sonhador.

Mas no pranto da Lua, não haveria apenas lamento, haveria também uma cumplicidade, pois no fundo, a Lua compreenderia o sentimento daquele jovem que naquele momento dormia, dormia, talvez sonhava.

16 de novembro de 2009

RIP


O que é a morte? Para os cientistas o cessar de toda e qualquer atividade biológica. Para os religiosos apenas uma passagem. Mas, sempre me pergunto, qual o limiar entre esse dois mundos? Que tênue fio separa universos tão desconhecidos? A morte me fascina. Me faz ver o quão insignificante sou. O quão frágil é a minha existência.

O que acontece no exato momento em que sua consciência se apaga? Dor? Paz? Um ínfimo instante e um universo se apaga. Uma vida inteira construída é derrubada de um só golpe pela foice gélida da senhora morte. Sonhos, desejos, planos para o amanhã, são sumariamente apagados, porque o amanhã já não mais irá acontecer. Tudo se acabou quando menos esperávamos.

Se me fosse permitido escolher a forma de minha morte, desejaria estar acordado, lúcido para sentí-la melhor. Para alguns uma idéia um tanto quanto macabra, não para mim. Gostaria de sentir ela se aproximando a passos lentos, ela estendendo seus braços e me envolvendo num abraço acolhedor, como uma mãe que encontra seu filho desaparecido.

E depois? O mistério. Será nossa segunda chance? Ou apenas o nada absoluto? Incertezas que descobriremos quando chegar a nossa vez. Talvez logo após terminar este texto. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano. Talvez daqui há 70 anos. Ninguém sabe quando ela nos fará sua visita íntima.

A única certeza que temos neste mundo é a de que quando a vida da última pessoa, que se lembrar de nós, se apagar, será como se jamais tivéssemos aqui vivido. E só então, neste dia, a nossa morte se concluirá.