
O quarto estava vazio. Apenas ele e seus pensamentos compartilhavam a triste monotonia de mais um dia neste planeta. Respirou fundo tentando puxar para dentro de si não apenas o ar vital que lhe faria sobreviver por mais tempo mas, também, buscava aspirar a vida que perdera em algum dia do passado. Mas ele sabia que isso era inútil, jamais voltaria a ser quem fora, ele até era feliz, mas agora tudo se acabou.
Observando a foto de uma criança, sorrindo feliz, em cima da mesa da sala ele se reconhece no momento extático da eternidade fotografada. Mais uma respirada funda e o vazio que não é preenchido perdura. Lágrimas escorrem pelo seu rosto, ninguém entende. Está só. Só como a Lua cheia que observa de sua janela. A vastidão do universo e a solidão da Lua por um momento lhe confortam. Em uma prece silenciosa apenas pede para que Deus abrande seu sofrimento. Ele grita mas ninguém lhe ouve, ninguém. Novamente se refugia em sua fortaleza solitária, ali convive com a solidão, as horas amargas de todos os dias monótonos que teimam em passar. As lágrimas escorrem novamente por seu rosto. É apenas mais um entre bilhões mas não gostaria de ser nenhum.


